entrou...leu...comentou
Capítulo 10
Acatou o pedido sem sequer retrucar e até mesmo quando tentou arranjar uma desculpa para partir ,bastou um simples “Você não precisa ir ,se não quiser!” para que permanecesse. Realmente não queria ir embora e sentia-se lisonjeada por ele demandar com tanto ímpeto sua permanência ali. O motivo alegado por ele era simplesmente o fato de que havia gostado da companhia da moça ,como há muito tempo não gostara de nenhuma outra. Uma repórter de verdade nem mesmo assim permaneceria nos aposentos do músico ,mas ela não era uma repórter de fato e assim sendo não precisava pensar ou agir como uma.
Alex avisou-lhe que teria que se retirar dos aposentos por indeterminado tempo , mas que regressaria logo. Enquanto o cantor se ausentava a estudante de direito ficou inerte diante da varanda , deslumbrada com a fascinante lua que contemplava a velha Londres com olhos apaixonados. A Londres que avistara agora ,não se parecia nem de longe com a triste e sôfrega Londres da noite anterior.
O estampido da porta ao fechar-se fez com que sua atenção se focasse apenas no presente , deixando todo o passado de lado. Alex chegou ao seu encalce antes mesmo que pudesse virar-se completamente . O inglês trazia em mãos duas taças e um legítimo Valpolicella . Com um sorriso sobre os lábios ,ofereceu-lhe uma das taças sem nada dizer e tão silenciosa quanto Alex a jovem estendeu a mão para que segurar a taça.
— Quero propor um brinde – disse Kapranos ao terminar de encher as taças — Um brinde a falsa repórter mais competente que eu já conheci. – disse dando ênfase á palavra “falsa” ao pronunciá-la.
— Falsa!? – indagou tentando soar mais indignada possível .
— Você não pensou que tinha me enganado .Pensou?!? Eu conheço muita gente desse meio . Não precisei de cinco minutos pra notar que você sequer era uma assistente como tentou me fazer acreditar. – disse Alex que apesar do tom acusativo na voz tinha uma calma deslumbrante refletida no olhar. — Se eu não te coloquei pra fora daqui foi por duas razões. A primeira que eu fico admirado e curioso com sua astúcia , e a outra porque como eu já disse antes sua companhia me agrada como nenhuma outra. E bastaram-me esses cinco minutos pra que eu tivesse noção disso.
Não soube o que dizer .Na verdade sabia que não havia nada a dizer. Estava sentindo-se envergonhada .. Conseguiu apenas dar as costas a Kapranos e voltar-se outra vez para a lua. Já não a olhava com os olhos deslumbrados .Emitia sobre ela agora ,um olhar desesperado . Como quem clama por um perdão ou por um milagre que pudesse livrá-la de uma punição imediata.
— Eu não estou bravo com você! – sussurrou Alex afastando o cabelo da menina para que pudesse aproximar-se mais do ouvido dessa.— Ainda gosto da sua companhia.
Era incrível como apenas o soar daquela voz a fazia calar com tanta facilidade.
Deixou se reter nos braços do galante inglês ,e logo se viu bailando vagarosamente ao som de “Darts of Pleasure” que tinha os versos soprados ao pé do ouvido da jovem. Cada verso parecia tão adocicado quanto o Valpolicella , e o calor daqueles lábios cálidos a cada sussurro inebriavam seus sentidos. Resistiu o quanto pode as tentativas dele de chegar aos seus lábios , porém o coração não demorou a render-se a àquela paixão fantástica .E uma vez que o coração se rende qualquer tentativa do corpo em resistir se torna inútil.
Podia detalhar minuciosamente o momento em que deixou os lábios escorregarem pelo rosto dele , lhe buscando os lábios e ansiando ser correspondida de imediato. Foi assim correspondida. Sem nenhuma demora bastou que deixasse seus lábios chegarem ao destino pretendido que esse pareceu estar a sua espera.
Os lábios dele eram fervidos , doces e embriagantes . Não conseguia raciocinar enquanto ali estava . Sequer notou que seus dedos desciam pelo blazer dele desabotoando-o com rapidez .E que já se desfazia de seus próprios trajes. Quando deu por si já se encontrava na cama , acompanhada por Alex e por uma taça de vinho.
Tudo era diferente dos momentos que costumava ter ao lado de Micha. Se o alemão era dominador , decidido e capaz de arrancar suspiros com um simples olhar .O inglês por sua vez bastava que pronunciasse uma palavra ,por menor que fosse , para fazê-la baixar a guarda. Parecia profundo conhecedor da arte da conquista , talvez não fosse tão belo e atrativo quanto o jogador. Mas, era envolvente , gracioso ,galante e sofisticado como o Valpolicella que enrubescia o lençol ao misturar-se com o suor que se esvaia de seus poros.
Depois de tudo o que passara a noite ao lado do inglês parecia sua gratificação por não ter enlouquecido. Era a mais perfeita das noites. Tão perfeita que durante toda noite os problemas se dissiparam da sua mente e toda dor e mágoa de seu coração pareceu nunca ter existido. Era como se não existisse nada naquele mundo além do o quarto que os abrigava e da lua que esteve na varanda durante toda à noite , como se o mundo tivesse parado de girar para reter e eternizar cada segundo ali vivido.
O dia não tardou a amanhecer e a aurora ainda coloria o céu aguardando a chegada do sol ,quando Ivinna despertou. Ao seu lado envolvido no lençol enrubescido pelo vinho e ainda úmido de suor estava Alex Kapranos. Sentiu o coração fraquejar ao notar que não se tratava de um sonho .Tudo aquilo havia de certo acontecido.
Não quis acordá-lo !Deu-lhe um beijo sobre os lábios e desceu da cama na ponta dos pés, seguindo direto ao banheiro.
Estava feliz e nunca na vida sentiu-se tão disposta como naquela manhã.
Porém , bastou submergir nas águas da banheira ,para que viesse a tona à realidade que por uma noite tivera o prazer de esquecer. Era como se perdesse qualquer ligação com a vida real enquanto via passar diante dos seus olhos toda sua vida. Assim como diziam que se via ao morrer. Mas, não estava morrendo .Estava mais via do que nunca.
Enquanto esteve imersa passaram na sua mente lembranças boas e ruins, passaram as que a entristeciam e as que a faziam feliz. Mas, assim que emergiu e voltou a si. Nenhuma teve mais força do que ,a que lhe fazia regressar ao dia em que pisara em Stamford Bridge pela primeira vez .Na santa noite em que esteve preste a morrer nos braços do alemão. Na qual diziam os mais românticos o amor dele lhe impediu de partir de vez. Numa noite tão mágica como a que tivera com Kapranos. Mas, que ainda sim tinha um peso maior .Pois, era carregada de amor.
Deu-se conta então que era hora de partir. Kapranos podia ser incrível ,como fosse. Mas, não era á ele que pertencia seu coração. Não era pelo amor dele que ansiava toda a manhã. E mesmo que Ballack a tivesse enganado ,era a ele que amava. E apesar da traição sabia que esse amor era recíproco. Pois como diriam os mais românticos ele lhe devolvera a vida.
Estava pronta para partir quando pela ultima vez Alex Kapranos cruzou o seu caminho ,disposto a fazê-la ficar.
— Você não precisa ir se não quiser! – frisou encostando-se no batente da porta .
— Preciso ,sim! –garantiu cedendo um prolongado e inesquecível beijo de adeus.
Estava dentro do elevador quando ainda pode ouvi-lo indagar se voltariam a se ver. Não o respondeu apenas sorriu! Sabia que aquela história não acabaria ali. Mas, aquela era a hora de voltar para casa levando apenas lembranças.

Leia este blog no seu celular