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Capítulo 03
Acordou em um quarto de hospital ,ligada a um soro e com uma máscara de oxigênio sobre o rosto. Sentia o corpo todo dolorido .Devia ser pelos encontrões que deu nas outras pessoas que abandonaram o local desesperadamente.
— Bom dia! – cumprimentou uma jovem médica assim que à avistou abrir os olhos — Você tem visitas.
Ivinna não disse nada apenas olhou-a aflita o que a fez disparar:
— Aliás, senhorita Nunes ,já pode livrar-se da máscara. Só evite falar em demasia – advertiu a médica.
Surgiram então diante do seu leito Talita Terry e Liza com semblantes levemente preocupados mas, encobertos por sorrisos.
— Que jeito de terminar a noite perfeita de vocês. –disse Talita sorrindo.
— A noite foi tão boa que ambas terminaram de cama. Eta !Ressaca! – brincou Liza tentando cortar o clima pesado que o hospital providenciava.
— E estou ótima! –alegou Ivinna sentando-se na cama.
— Acredito que ao menos esteja melhor que a Tamm!
— Por quê? O que houve com ela? - indagou assustada.
Talyta e Liza se entreolharam em silêncio. Era estranho já que o estado de saúde da caiçara era incerto. Então Tally tomou coragem e passou a relatar tudo o que sabia.
—Pelo que o Cech nos disse ,parece que ela estava próxima do palco na hora da explosão e perdeu a consciência na mesma hora. E se os bombeiros chegassem um pouco mais tarde ela teria morrido asfixiada pela fumaça.
— E como ela está agora?
— Na U.T.I. Ela ta respirando com a ajuda de aparelhos e sofreu umas fraturas e umas queimaduras. – explicava Talyta enquanto os olho enchiam de lágrimas.— Mas, pelo menos ela não ta mais encubada e já ta consciente. Porque quando resgataram-na estava tão mal que todo mundo pensou que ela não ia conseguir sobreviver. – prosseguia a jovem Sr.Terry enquanto chorava compulsivamente. — Dizem que ela nasceu de novo!
— Pobre Tamm! –foi tudo o que disse Liza baixando os olhos.
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A cearense de personalidade forte e diversas vezes inabalável passou o resto do dia ,preocupada. Sentia-se parcialmente culpada. Devia tê-la impedido de seguir sozinha para o palco. Devia ter impedido toda aquela loucura. Se ao menos pudesse ir a U.T.I. mas, era inútil.
Além da preocupação lhe assombrava a ausência de Micha. Apesar do tempo que haviam dado ,não era da natureza dele não se preocupar. O atentado devia ter sido manchete em todos os jornais era impossível ele não saber o que acontecera. A não ser que ele não tivesse visto o bilhete em cima da geladeira. Afinal sempre que chegava da tal campanha seguia direto para o quarto.
A ultima pessoa com quem falou antes de ser domada pelo sono ,foi uma enfermeira alta e esmilingüida responsável por trocar o seu soro.
— Senhorita Nunes! Alex Kapranos ligou e nos pediu que avisasse que amanhã irá via até aqui vê-la.
— Alex? Visitar-me? Como assim?
— Oras! Você não é a assistente de produção? – indagou mostrando a falsa credencial.
Foram essas as ultimas imagens e palavras que lhe alcançaram antes que adormecesse. Teve um sonho rápido àquela noite. Sonhou que conseguia ir a U.T.I . visitar Tammy que apesar de cercada por aparelhos parecia bem e estava sentada na cama. No sonho ainda contava á garota sobre a confusão que a falsa credencial causara.
E comum sorriso aflito no olhar a jovenzinha apenas afirmara.
— Ao menos essa tragédia nos serviu de alguma coisa.
Acordou com o marido segurando sua mão e lhe encarando com a cara mais piedosa do mundo. O alemão parecia engasgado com algo e por muito tempo evitou fitá-la nos olhos ou dizer-lhe alguma coisa. E assim que soaram as primeiras palavras de seus lábios essas não foram juras de amor e nem mesmo lamentações pela internação e sim o que tinha de ser dito inevitavelmente.
— A Tammy... – iniciou soprando o ar olhando para o teto enquanto fazia uma pausa — Ela não conseguiu resistir!